Petrobras se prepara para ampliar a partir de 2026, enquanto enfrenta questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) sobre riscos ambientais na Foz do Amazonas.
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No interior do Amazonas, a Petrobras prevê a ampliação de exploração de petróleo na Amazônia com abertura de 22 novos poços entre 2026 e 2030 em áreas já conhecidas, além de dois em regiões que podem abrir novas fronteiras exploratórias. A operação se concentra em Urucu, a cerca de 650 quilômetros de Manaus, onde já existem aproximadamente 100 poços, dos quais 75 são produtivos.
Segundo a Petrobras, a ampliação busca compensar o declínio natural da produção dos campos mais antigos e garantir o abastecimento de gás natural à capital amazonense. Atualmente, a base produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia — o equivalente a 3,5% do consumo nacional — além de 13,5 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. O volume responde por cerca de 65% da energia elétrica consumida em Manaus. A estatal afirma ocupar apenas 2% da área concedida, mantendo 98% da floresta preservada, a empresa também declara meta de zerar as emissões operacionais até 2050.
Enquanto avança no interior da floresta, a Petrobras enfrenta resistência na costa norte do país. O MPF enviou recomendações ao Ibama e à estatal pedindo a suspensão imediata do licenciamento de pesquisas sísmicas no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas.
O órgão defende que os impactos ambientais sejam analisados de forma conjunta para os quatro poços previstos na área — Morpho, Marolo, Manga e Maracujá — e não de maneira isolada. Segundo o MPF, a condução separada dos processos pode ocultar riscos socioambientais cumulativos.
Entre as recomendações ao Ibama estão a não autorização das perfurações adicionais sem estudos técnicos completos e a suspensão de prazos de manifestação pública até que as análises sejam adequadamente realizadas. À Petrobras, o MPF solicita a atualização de seus materiais de comunicação para refletir a previsão de quatro poços no bloco, e não apenas um, garantindo transparência às comunidades impactadas.
A região da Foz do Amazonas abriga o Grande Sistema de Recifes do Amazonas, um dos mais extensos e ainda pouco estudados ecossistemas marinhos do Atlântico, além do maior cinturão contínuo de manguezais do planeta. Esses ambientes funcionam como berçário de diversas espécies e sustentam comunidades pesqueiras locais.
Especialistas alertam que atividades como pesquisas sísmicas e eventual perfuração podem afetar a fauna marinha, especialmente em uma área marcada por forte dinâmica de correntes e sedimentos do maior rio do mundo.
O avanço da exploração petrolífera na Amazônia reacende o debate entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. De um lado, a Petrobras sustenta que a produção em Urucu é estratégica para a segurança energética da Região Norte e que adota padrões rigorosos de controle ambiental. De outro, órgãos de controle e ambientalistas cobram maior transparência e estudos integrados sobre impactos cumulativos, sobretudo em áreas costeiras sensíveis.
Texto: Roberta Mufarrej


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