Bloqueio na ferrovia que Liga Pará ao Maranhão
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Indígenas do povo Gavião mobilizados desde a última sexta-feira (13) na interdição da Estrada de Ferro Carajás, no trecho de Bom Jesus do Tocantins, sudeste do Pará e liga estados do Pará e Maranhão. O protesto, que chegou ao sexto dia nesta terça--feira (17), é liderado por comunidades da Terra Indígena Mãe Maria e bloqueia a circulação de trens de minério e de passageiros operados pela Vale. A suspensão do transporte evidencia o impacto direto da manifestação, que também chama atenção para a urgência do debate sobre desenvolvimento e preservação ambiental. A Estrada de Ferro Carajás (EFC) foi liberada na madrugada desta terça-feira (17). Apesar da desobstrução, a circulação do trem de passageiros segue suspensa e deve ser retomada na quinta-feira (19).
A principal reivindicação das lideranças indígenas está relacionada aos possíveis impactos ambientais da duplicação da ferrovia. Segundo os manifestantes, a obra tem provocado poluição sonora, contaminação de rios e alterações na qualidade da água, afetando diretamente a vida das comunidades. Além disso, denunciam a ausência de consulta prévia, livre e informada, um direito garantido por legislação internacional, reforçando a importância de incluir populações tradicionais nas decisões que envolvem seus territórios.
O caso também levanta questionamentos jurídicos relevantes. O Ministério Público Federal aponta indícios de operação da nova linha sem o devido licenciamento ambiental, ampliando as preocupações sobre a condução do projeto. Em meio a um cenário de tensões históricas, a mobilização dos povos Gavião se consolida como um alerta sobre a necessidade de conciliar crescimento econômico com responsabilidade socioambiental, destacando o papel fundamental da proteção dos territórios indígenas para a sustentabilidade.
Texto: Roberta Mufarrej




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