Cerca de 30% da produção de açaí na Amazônia Legal tem origem em áreas extrativistas sem acesso à energia elétrica da rede pública.
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Cerca de 30% da produção de açaí na Amazônia Legal — o equivalente a três em cada dez quilos colhidos — tem origem em áreas extrativistas sem acesso à energia elétrica da rede pública. O dado foi divulgado em março de 2026 pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e evidencia um dos principais gargalos da cadeia produtiva do fruto na região.
A ausência de eletricidade afeta diretamente a conservação do açaí que por ser um fruto altamente perecível, a polpa precisa ser refrigerada rapidamente após o processamento. Sem acesso a freezers ou refrigeradores, muitos produtores enfrentam perdas e dificuldades para manter a qualidade do produto.
Diante dessa limitação, grande parte dos extrativistas acaba vendendo o açaí in natura logo após a colheita, com essa prática o valor agregado do produto é reduzido e aumenta a dependência de intermediários, o que impacta diretamente a renda das famílias que vivem do extrativismo.
Além disso, a produção em áreas não eletrificadas depende quase exclusivamente de esforço manual e de deslocamentos difíceis para transporte e processamento do fruto. A falta de infraestrutura também se concentra em alguns estados, com destaque para Roraima, onde 74% das unidades de produção de açaí ainda não contam com eletrificação, segundo o levantamento do IEMA.
Para especialistas, a ausência de energia elétrica limita o desenvolvimento da bioeconomia na região Norte e reforça a exclusão energética de comunidades extrativistas. O cenário contrasta com a posição de liderança do Pará, responsável pela maior produção mundial de açaí, seguido pelo Amazonas e Roraima.
Texto: Roberta Mufarrej




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